domingo, 20 de abril de 2008

criação de fábrica de disco de vinil

20 de abril de 2008


"É científico. O som do vinil é muito melhor"

Entrevista | JOÃO AUGUSTO

Diretor da Deckdisc anuncia criação de fábrica para o formato

Ricardo Schott

Nome importante da indústria fonográfica desde os tempos dos antigos LPs, João Augusto já promoveu alguns (poucos) lançamentos em vinil na sua gravadora, Deckdisc – uma das primeiras a aderir ao canto de sereia dos ringtones e da venda de músicas em MP3, a partir de projetos como as lojas virtuais Decktones e Deckpod. Agora, a gravadora, responsável por uma gama de lançamentos, que vai da sambista Teresa Cristina aos punks veteranos dos Ratos de Porão, planeja a instalação de uma fábrica de discos de vinil. Um projeto que ainda está sendo pensado e gerado, mas que o presidente da Deck avisa que vai atingir um público "moderno, definido e constante", que vê nos vinis um bom formato para se conhecer música.

Atualmente, a América Latina está sem fábrica de vinil. A Polysom, que ficava na Baixada Fluminense, durante um bom tempo reinou sozinha no mercado – sendo requisitada tanto por selos independentes, como a Monstro Discos, quanto por grandes gravadoras, que queriam dar um charme a mais a seus lançamentos – mas fechou as portas no começo de 2008, devido a problemas financeiros.

Em entrevista ao B, João Augusto lamenta o fim da fábrica e deixa claro que sua gravadora vai bem – a procura por formatos diferentes, seja MP3, vinil ou qualquer outro, não viria para suprir prejuízos.

Fale um pouco sobre seu projeto de montar uma fábrica de discos de vinil.

– Estamos em processo de estudo para a ativação da fábrica. Mas não sabemos ainda onde ela será instalada, nem temos certeza de sua viabilidade, em razão das dificuldades de se obter equipamento e mão-de-obra especializada.

A Deckdisc foi uma das primeiras a lançar um serviço de venda de músicas em MP3 e ringtones, que são as meninas-dos-olhos da venda de música atualmente. Passar a fabricar discos de vinil não seria andar na contramão do mercado? A gravadora acredita tanto assim no formato?

– Estamos buscando opções para ampliar, não para salvar o negócio. O artista e a música continuam sendo as estrelas e muita gente quer consumi-los. O formato vinil não representa um atraso, muito pelo contrário. Conheço muita gente moderna que gosta de vinis, compra e mantém. Estamos bem certos de que o público consumidor do formato é bem pequeno em relação ao que consome os outros produtos, mas trata-se de um público definido e constante. É fácil encontrar esse público e oferecer exatamente o que interessa a ele.

Há alguns meses, falou-se que o Ministério da Cultura queria salvar o vinil no Brasil e a Polysom, então única fábrica de vinis daqui, já fechada, pediu ajuda do governo. Como você vê esse fato e no que isso interfere em seu plano de trabalhar com vinil?

– Não sei como a Polysom administrava o seu negócio. Só sei que lamentamos muito o seu fim. Não vamos pedir ajuda de qualquer órgão de governo. Ou fazemos pelos nossos meios ou não fazemos.

A Deckdisc investiu em artistas que não são exatamente grandes vendedores, como Cachorro Grande, Matanza, Teresa Cristina etc. Trabalhar com vinis seria mais um dos desafios da gravadora? Como ela se prepara, financeiramente, para tais iniciativas?

– Ativar uma fábrica de vinil representará simplesmente abrir um outro negócio em que se acredita, sem que necessariamente esteja ligado a qualquer outro que temos. Vamos deixar bem claro: a idéia da fábrica de vinil é uma iniciativa isolada. Não pensamos na fábrica para substituir nada. Ela é mais uma opção para escoar a música que produzimos. A América Latina está sem fábrica de vinil e muita gente quer fabricar discos nesse material com seus conteúdos, inclusive a Deckdisc. Vamos ver se conseguimos viabilizar sua fabricação aqui. E respondo que não temos qualquer suporte financeiro externo. Não coloco dinheiro na Deckdisc, não há qualquer instituição financeira que o faça. Reaplicamos apenas o que geramos. Projetos deficitários recebem ajuda dos que dão resultados. E assim, com grande rigor e pés no chão, vamos administrando e sobrevivendo.

Onde vocês vão comprar as máquinas para a fábrica? Já há planos para isso ou tudo ainda está sendo visto?

Ainda estamos vendo como tudo isso vai ficar.

A Deckdisc já editou alguma coisa em vinil?

– Já lançamos dois LPs do DJ Marcelinho da Lua, um do (rapper) Black Alien e um compacto do (produtor e músico de reggae e dub) Mad Professor. Também editamos um single da Pitty, que foi distribuído para a imprensa no lançamento de seu segundo disco, Anacrônico.

O objetivo da Deck é ir editando em vinil todo seu catálogo? Vocês pretendem trabalhar com outras gravadoras ou atender a independentes?

– Se ativarmos mesmo a fábrica, procuraremos atender a todos. Do nosso conteúdo, iremos lançar tudo o que for adequado para o formato.

Você começou nos tempos do vinil, na Polygram (hoje Universal) e na EMI. Qual sua relação com o formato hoje? Você costuma comprar LPs?

– Tenho todos os meus vinis guardados, menos os que Rafael Ramos (produtor da Deck e filho de João) me assaltou. Não os ouço com freqüência, mas sei que vou querer ouvi-los a qualquer momento.

Para você, o som do vinil é melhor do que o do CD?

– Eu não acho o som do vinil melhor. Isso é científico: o som do vinil é muito melhor. A transformação de sons análogos em digitais comprovadamente inibe harmônicos importantes. As diferenças mais sentidas dizem respeito à profundidade do som. No CD, tudo fica chapado. Porém, essa diferença não justificaria abandonar o CD e voltar aos vinis. Há ouvintes para os dois.


[ 20/04/2008 ] 02:01


fonte:www.jbonline.terra.com.br

Um comentário:

Vitor Menezes disse...

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